12.08.2026
Economia azul em Portugal: Isabel Carneiro Kahlen destaca potencial de crescimento do investimento em startups
Isabel Carneiro Kahlen, sócia da Morais Leitão e cocoordenadora da Team Genesis, participou na conferência “Matosinhos e a Nova Economia do Mar”, onde analisou o crescimento do ecossistema de startups em Portugal e o investimento direcionado para a economia azul.
A economia azul tem ainda uma expressão reduzida no investimento em startups em Portugal, apesar do crescimento do empreendedorismo, da investigação aplicada e do interesse dos investidores. Esta foi uma das principais conclusões partilhadas por Isabel Carneiro Kahlen, sócia da Morais Leitão e cocoordenadora da Team Genesis, durante a conferência “Matosinhos e a Nova Economia do Mar”.
No painel “A Nova Economia Azul: Ciência, Biotecnologia e Startups do Mar”, Isabel Carneiro Kahlen analisou a evolução do ecossistema empreendedor português e as oportunidades de crescimento associadas à economia do mar.
Empreendedorismo e investigação ganham força em Portugal
Na sua intervenção, Isabel destacou a dinâmica que tem marcado o ecossistema de startups em Portugal, caracterizada por uma crescente articulação entre empreendedorismo, investigação e ambição internacional. «O que eu vejo é que, cá em Portugal, em todas as áreas, há empreendedorismo e há foco em investigação nas empresas privadas, com ambições de expansão internacional.»
O investimento em startups tem acompanhado esta evolução, impulsionado pelo aparecimento de novos investidores e por programas públicos de financiamento. O mercado de business angels, portugueses e internacionais, é também apontado por Isabel como uma componente cada vez mais relevante deste ecossistema.
Economia azul representa cerca de 5% do investimento analisado
Apesar desta evolução, o peso da economia azul no investimento em startups continua a revelar uma significativa margem de crescimento.
A partir de uma análise aos cerca de 537 milhões de euros canalizados para startups através de programas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), geridos pelo Banco Português de Fomento, Isabel procurou perceber qual a expressão dos projetos relacionados com o mar.
Cerca de 5% do investimento analisado teve como destino projetos ligados à economia do mar. «Tentei chegar a umas contas simples sobre qual seria a expressão da economia do mar nestes investimentos e a conclusão é que não é tão expressiva quanto deveria ser em Portugal.»
Ainda assim, Isabel identificou sinais positivos na evolução deste ecossistema: «Parece ainda uma economia incipiente, mas está a dar primeiros passos importantes.»
Entre as áreas em que já se verifica o desenvolvimento de startups ligadas à economia azul estão a aquicultura, a robótica, o software, as energias limpas e a biotecnologia azul.
Novas oportunidades de financiamento para tecnologias de duplo uso
A evolução das fontes de financiamento foi outro dos temas abordados. A sócia da Morais Leitão destacou o crescente dinamismo do mercado de business angels e o desenvolvimento de projetos relacionados com o mar que recorrem a tecnologias com aplicações civis e militares.
As tecnologias de duplo uso assumem, neste contexto, uma relevância crescente, criando novas oportunidades para empresas tecnológicas e projetos inovadores ligados à economia do mar.
O desafio de transformar inovação em valor
Para além da capacidade de desenvolver tecnologia e captar investimento, Isabel Carneiro Kahlen chamou a atenção para outro desafio do ecossistema português: transformar inovação e conhecimento em produtos e negócios capazes de gerar maior valor acrescentado.
«Temos muitas ideias, inovação e investimento em empresas que desenvolvem tecnologias. Mas, depois, a nossa dificuldade é no valor acrescentado. Às vezes vendemos a nossa tecnologia barato e depois alguém lá fora pega nisso e cria o produto.»
A capacidade de reter esse valor será, assim, um dos fatores relevantes para que o crescimento do investimento e da inovação se traduza também numa maior competitividade das empresas portuguesas.
A intervenção da nossa sócia deixou, assim, uma perspetiva simultaneamente positiva e exigente sobre a economia azul portuguesa: existe conhecimento, empreendedorismo e capacidade tecnológica, mas permanece por concretizar uma parte significativa do potencial económico do setor. Reforçar o investimento e, sobretudo, criar condições para que a inovação desenvolvida em Portugal se traduza em negócios de maior valor será determinante para o crescimento da economia do mar.
Assista ao vídeo completo do painel aqui.