Na sua crónica publicada a 4 de setembro no jornal Nascer do SOL, Rui Patrício parte de uma conversa sobre Thomas Mann e As Confissões de Felix Krull, Cavalheiro de Indústria para refletir sobre a impostura, o mérito e a forma como determinadas personagens conseguem afirmar-se pela aparência, pela capacidade de persuasão e pela complacência dos que as rodeiam.
O advogado recupera a figura de Felix Krull, protagonista da obra de Thomas Mann, que descreve como um “vendedor de si mesmo” e um ilusionista que progride socialmente através da impostura, sublinhando que o seu sucesso depende também da falta de visão ou da cumplicidade, por ação ou omissão, de terceiros.
A partir da literatura, Rui Patrício estabelece um paralelismo com personagens que encontramos na vida profissional, pública ou quotidiana e convida o leitor a reconhecer à sua volta, e até em si próprio, traços dessas figuras. A crónica termina com uma reflexão sobre a capacidade da grande literatura para nos fazer olhar de outra forma para a realidade e para o “triunfo da impostura”, simultaneamente trágico e irónico.
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