09.03.2026
Martim Krupenski analisa transformação do modelo das sociedades de advogados em Portugal
Um artigo publicado na Líder Legal, intitulado “Qual o modelo de escritório de advocacia prevalecerá em Portugal”, reúne a visão de vários managing partners de sociedades de advogados com presença em Portugal sobre a evolução do setor em 2026. Entre eles, o nosso managing partner, Martim Krupenski, destaca que a principal transformação no mercado jurídico não está apenas nas áreas de prática ou na tecnologia, mas sobretudo no modelo organizacional das sociedades. O mercado jurídico está a evoluir para estruturas mais estratégicas, orientadas para o negócio dos clientes e capazes de responder a um ambiente económico e regulatório cada vez mais exigente.
Clientes mais exigentes elevam o nível da assessoria jurídica
Martim Krupenski sublinha que um dos principais fatores de mudança é a evolução do perfil dos clientes. Muitas empresas contam hoje com departamentos jurídicos internos altamente qualificados, o que altera a dinâmica tradicional entre cliente e sociedade de advogados.
Nesse contexto, explica que «os clientes agora contam com equipas jurídicas internas altamente qualificadas», o que exige das sociedades de advogados um nível mais elevado de especialização e uma análise jurídica cada vez mais estratégica.
Este novo perfil de cliente procura não apenas aconselhamento técnico, mas também uma compreensão mais profunda do contexto regulatório, económico e estratégico em que as empresas operam.
Inteligência artificial aumenta eficiência, mas não substitui o julgamento jurídico
O artigo aborda igualmente o impacto da tecnologia na prática jurídica. Para Martim, ferramentas como a inteligência artificial estão a transformar sobretudo a eficiência operacional das sociedades.
Estas tecnologias permitem automatizar tarefas como revisão documental ou análise preliminar de informação jurídica, libertando tempo para trabalho de maior valor estratégico. No entanto, o managing partner da Morais Leitão sublinha que estas ferramentas não substituem o julgamento profissional do advogado.
Na sua perspetiva, a tecnologia funciona essencialmente como um acelerador de eficiência dentro das organizações jurídicas, mantendo-se o conhecimento jurídico e a capacidade de decisão como elementos centrais da assessoria.
Novos setores regulados geram oportunidades de crescimento
Outro ponto em destaque é o crescimento de setores emergentes altamente regulados. Áreas como fintech, proteção de dados e ciências da vida estão a gerar novas necessidades de assessoria especializada.
A inovação tecnológica tem vindo a criar setores inteiros que não existiam há uma década, o que aumenta a complexidade regulatória e reforça a procura por aconselhamento jurídico especializado.
Talento continua a ser o principal ativo estratégico das sociedades
Apesar das transformações tecnológicas e organizacionais, Martim considera que o fator decisivo para o sucesso das sociedades de advogados continua a ser o talento.
«Escritórios de advocacia são, antes de tudo, organizações de pessoas», afirma, destacando que a qualidade dos profissionais continua a ser o principal ativo estratégico das organizações jurídicas.
O modelo organizacional definirá as sociedades líderes do mercado
Na sua análise, o futuro do mercado jurídico português dependerá da capacidade das sociedades de advogados integrarem três dimensões fundamentais: eficiência operacional, conhecimento especializado e visão estratégica sobre o negócio dos clientes.
Para Martim Krupenski, o desafio passa por combinar estas dimensões em estruturas organizacionais capazes de se adaptar a um mercado cada vez mais sofisticado e exigente. Será essa capacidade de integração — mais do que o tamanho ou a tradição — que determinará quais os modelos de sociedades de advogados que prevalecerão nos próximos anos.
Leia o artigo completo na Líder Legal.