15.01.2026
Martim Krupenski destaca impacto da IA, novos modelos de negócio e pressão regulatória na advocacia em 2026
Martim Krupenski, managing partner da Morais Leitão, antecipa que 2026 será um ano de consolidação das transformações profundas na advocacia de negócios, num contexto marcado pela incerteza económica, pela aceleração tecnológica e pela crescente pressão regulatória. Em declarações ao Jornal de Negócios, o advogado sublinha que a incorporação de tecnologia mais sofisticada, incluindo soluções baseadas em inteligência artificial, irá acelerar de forma decisiva a transformação do setor jurídico.
Novos modelos de negócio e pricing ganham centralidade
No centro desta mudança, Martim Krupenski identifica dois temas críticos: «pricing e novos modelos de negócio». Segundo o managing partner da Morais Leitão, «as empresas vão exigir mais previsibilidade e eficiência», o que tenderá a reforçar «a procura por modelos de honorários mais flexíveis e orientados a valor, maior transparência na gestão de custos e abordagens mais estruturadas de planeamento e gestão de projetos, sem perda de qualidade». Esta evolução reflete expectativas crescentes dos clientes empresariais quanto à eficiência, previsibilidade e valor do aconselhamento jurídico.
Complexidade regulatória mantém-se como fator de pressão
Outro dos principais desafios apontados prende-se com o enquadramento regulatório. Martim Krupenski destaca que «a complexidade regulatória deverá manter-se como um dos principais fatores de pressão, não apenas pelo volume de alterações, mas sobretudo pelos vários ritmos de mudança, ao nível nacional e internacional». Neste contexto, o advogado antecipa «avanços e recuos, com ajustamentos sucessivos e reequilíbrios de ambição», aumentando a incerteza e exigindo das empresas uma gestão mais prudente das transições regulatórias.
Projetos e infraestruturas impulsionam investimento em Portugal
No plano setorial, Martim Krupenski considera que a conjuntura aponta para um maior dinamismo nas áreas onde o mercado está a mudar mais rapidamente, seja por força do investimento, da regulação ou da inovação tecnológica. Em 2026, projetos e infraestruturas deverão assumir um papel central, impulsionando tanto o investimento nacional como o estrangeiro, num cenário em que Portugal continua a afirmar-se como um país atrativo para investidores.
Multidisciplinaridade redefine o mercado jurídico
Estas tendências inserem-se num processo mais amplo de transformação do setor jurídico em Portugal, marcado pelo arranque efetivo da multidisciplinaridade. Martim Krupenski sublinha que a entrada das grandes consultoras no mercado jurídico «veio intensificar a concorrência e alterar as expectativas dos clientes, sobretudo em áreas onde se cruzam direito, tecnologia, dados e gestão», reforçando a exigência de diferenciação, sofisticação técnica e capacidade de adaptação por parte das sociedades de advogados.
Advocacia de negócios enfrenta um ano exigente em 2026
No seu conjunto, a análise de Martim Krupenski aponta para um ano particularmente exigente para a advocacia de negócios, em que inteligência artificial, pressão regulatória e novos modelos económicos se cruzam de forma cada vez mais intensa. Um contexto desafiante, mas que também cria oportunidades relevantes para as sociedades de advogados capazes de responder com inovação, planeamento estratégico e uma abordagem integrada ao serviço dos clientes empresariais.
Leia a análise completa no anexo abaixo.