02.01.2026
Martim Kuprenski defende estabilidade regulatória e aposta estratégica na tecnologia para 2026
Martim Kuprenski, Managing Partner da Morais Leitão, em comentário ao jornal ECO, considera que a principal decisão que o Governo deve tomar em 2026 passa, paradoxalmente, por saber não intervir. Na sua perspetiva, a verdadeira visão estratégica reside num compromisso político claro com a estabilidade regulatória, a previsibilidade legislativa e a eficiência administrativa.
Segundo Martim Kuprenski, Portugal enfrenta um problema sério de instabilidade normativa, resultante de alterações legislativas frequentes e sucessivas, que criam um ambiente de incerteza pouco compatível com decisões de investimento de médio e longo prazo. Para os investidores e operadores económicos, a coerência e a durabilidade das regras são fatores críticos, frequentemente comprometidos por uma lógica de reforma permanente.
A este contexto soma-se um desafio estrutural persistente: os custos burocráticos associados à lentidão das decisões administrativas e judiciais. Estes constrangimentos continuam a afetar a competitividade do país e a confiança de quem pretende investir. Mais do que lançar novas reformas, 2026 deveria ser, na ótica do Managing Partner da Morais Leitão, um ano de consolidação, simplificação e reforço da eficiência do sistema.
Relativamente ao setor jurídico, Martim Kuprenski identifica um cenário de concorrência crescente, marcado pela presença reforçada de grandes consultoras internacionais e de sociedades espanholas no mercado português. Estas entidades beneficiam de escala, modelos integrados e forte capacidade de investimento em tecnologia e talento, o que tem intensificado a pressão competitiva.
O primeiro ano de aplicação da multidisciplinaridade em Portugal veio acelerar esta dinâmica, promovendo uma maior convergência entre serviços jurídicos, consultoria e tecnologia. Apesar dos desafios, Martim Kuprenski sublinha que este contexto cria também oportunidades relevantes para todos os intervenientes do setor.
A principal oportunidade está, precisamente, na tecnologia. A adoção de ferramentas digitais avançadas e de soluções de inteligência artificial está a impulsionar uma transformação profunda da advocacia, tanto em Portugal como a nível internacional. Hoje, para além do conhecimento técnico, ganha relevância a forma como esse conhecimento é estruturado e apresentado, a capacidade de criar soluções orientadas para o cliente e a eficiência na entrega de valor.
Neste novo enquadramento, a integração entre tecnologia e especialização jurídica de elevado nível torna-se determinante para responder às exigências de um mercado cada vez mais sofisticado, reforçando a capacidade das sociedades de advogados para inovar, diferenciar-se e criar valor sustentável para os seus clientes.
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