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09.01.2026

Rui Patrício assina o artigo "A Metralhização da Política"

No seu artigo publicado no jornal Nascer do SOL, Rui Patrício critica aquilo que designa como a “metralhização da política”, alertando para um clima permanente de suspeição que está a afastar o debate público das ideias e a corroer a própria vida democrática.

O sócio da Morais Leitão parte da constatação de que a política portuguesa passou a ser dominada por uma lógica de caça incessante a suspeitas, processos e insinuações, onde o essencial já não é discutir visões de Estado, propostas ou desenho institucional, mas antes identificar em cada político traços de culpabilidade moral ou criminal. «Mais do que diabolização, estamos na metralhização da política», escreve, associando este fenómeno à desconfiança estrutural da vida contemporânea e à obsessão excessiva pela transparência, tema que relaciona com a obra A Sociedade da Transparência, de Byung-Chul Han.

Como primeiro exemplo, Rui Patrício aponta o debate em torno das eleições presidenciais, sublinhando que o espaço mediático tem sido ocupado quase exclusivamente por questões laterais – carreiras profissionais, testemunhos em processos ou suspeitas indiretas – em detrimento da discussão sobre a função presidencial, o regime constitucional ou os projetos políticos dos candidatos. Para o advogado, esta inversão de prioridades empobrece o debate democrático e alimenta uma visão policial da política.

O segundo exemplo referido é a polémica em torno do fim de uma averiguação preventiva relacionada com a sociedade do primeiro-ministro, tratada, segundo o colunista, como um acontecimento de dimensão quase apocalíptica. Rui Patrício ironiza o dramatismo da reação pública e mediática, comparando-a a acontecimentos de escala histórica ou civilizacional, para evidenciar a desproporção e o sensacionalismo instalados no espaço público.

Por fim, critica a associação insistente entre um suspeito de pedofilia e o facto de ter sido ex-assessor de uma ministra, questionando a relevância dessa ligação para o caso concreto. Para Rui Patrício, este tipo de enquadramento revela uma tendência inconsciente para imputar culpa política por associação, contribuindo para um ambiente em que a simples participação na vida pública se torna insuportável.

O artigo conclui com um alerta: se a política continuar a ser tratada como um campo permanentemente minado por suspeitas e julgamentos sumários, apenas pessoas «totalmente loucas ou totalmente desqualificadas» aceitarão participar na vida pública. «Assim não dá», escreve o autor, advertindo para o risco real de esvaziamento da democracia representativa.

Leia o artigo completo no anexo abaixo.